Archive for outubro, 2009
Saiu no Terra ontem uma notícia engraçada:
Sem dinheiro para comprar zebra, zoo em Gaza pinta burro
O zoológico de Marah Land, na Faixa de Gaza, resolveu pintar dois burros de branco e preto para satisfazer crianças palestinas que nunca viram uma zebra de verdade, informou nesta quinta-feira a agência Reuters.
Segundo o dono do zoo, Mohammed Bargouthi, furar o bloqueio imposto por Israel à Gaza e trazer zebras “genuínas” por um túneis que cruzam a fronteira com o Egito sairia muito caro. A solução foi usar a criatividade.

Para as crianças que aparecem na foto, talvez este burro pintado verdadeiramente passa a impressão que é uma zebra. Mas para quem conhece uma zebra de verdade, a figura é grotesca, parece uma imitação bem barata. Um leitor chegou a comentar: “Parece que não é só a zebra que falta no zoo, a comida do burro está faltando, o bicho está magrelo.” Veja esta zebra da foto abaixo, como tem suas listras delimitadas, com harmonia e uma transição divinamente esculpida das listras do dorso para as listras das patas traseiras. Algo bonito de se ver.

Comentando sobre este fato, me lembrei de uma comparação que fiz com a cereja que encontramos em muitos self services de sorvete. Ela é feita de bolinhas de chuchu colocadas num corante com essência de cereja. São até saborosas, mas quando você come uma cereja de verdade, percebe que aquela bolinha de chuchu não tem graça.
A Bíblia conta a história de um homem levita, que por força da tribo que pertencia, tudo indica, ser um homem religioso, adorador, que cuidava das coisas de DEUS. Inesperadamente aquele homem teve um experiência que mudou completamente a sua vida. Mas esta história começou muitos anos antes, quando o sacerdote Eli era Sumo Sacerdote em Israel. Numa das batalha que Israel travou contra os filisteus, os israelitas levaram a arca para o campo de batalha com o fim de a usarem como um amuleto a seu favor. Só que o favor de DEUS não estava mais com eles e o Senhor permitiu que Israel perdesse a batalha e que a arca fosse levada para a Filistia. Lá a presença da arca provocou alguns problemas de saúde nos filisteus e eles devolveram a arca num carro de bois que milagrosamente se dirigiu ao sul de Israel, ficando na casa de Abinadabe durante quase vinte anos. Quando Davi assumiu o reinado, desejou trazer a arca para a Cidade de Davi (apesar de Davi ter nascido em Belém, a Cidade de Davi não é Belém como alguns pensam, quando a Bíblia cita a “Cidade de Davi”, faz referência a uma área que faz parte de Jerusalém) e por descuido, não pesquisou na Lei como deveria conduzir a arca e resolveu fazer como os filistei, trazendo-a num carro de bois. No meio do caminho, a arca foi amparada por Uzá para que não caísse e Uzá morreu por ter tocado nela. Davi, meio decepcionado, deixou a arca na casa de Obede-Edom. Veja como a Bíblia cita este fato: (II Sam 6)
9 E temeu Davi ao Senhor naquele dia; e disse: Como virá a mim a arca do Senhor?
10 E não quis Davi retirar para junto de si a arca do Senhor, à cidade de Davi; mas Davi a fez levar à casa de Obede-Edom, o giteu.
11 E ficou a arca do Senhor em casa de Obede-Edom, o giteu, três meses; e abençoou o Senhor a Obede-Edom, e a toda a sua casa.
12 Então avisaram a Davi, dizendo: Abençoou o Senhor a casa de Obede-Edom, e tudo quanto tem, por causa da arca de Deus; foi pois Davi, e trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obede-Edom, à cidade de Davi, com alegria.
Agora, Obede-Edom experimentou a arca de DEUS em sua casa por três meses e, apesar de parecer curto este tempo, foi o suficiente para ter sua rotina trasnformada. O texto de 1Cr 13:14 diz que “e o Senhor abençoou a casa de Obede-Edom, e tudo quanto tinha.” Não quero aqui fazer nenhuma apologia ao uso de objetos sagrados como forma de atrair a bênção e nem procurar a DEUS só por causa de bênçãos, mas não podemos negar que aqueles três meses foram especiais na vida de Obede-Edom. Só que a arca se foi da casa dele do mesmo jeito que veio, sem avisos. O que você faria no lugar de Obede-Edom ao ver o Rei com uma multidão vindo buscar a arca que abençoou de forma sobrenatural a sua vida, sua família e tudo o que você possui?
Se você respondeu que iria acompanhar a arca onde que que ela fosse levada, eu quero te dizer que foi exatamente isto que Obede-Edom fez. Os capítulo 15 e 16 de I Crônicas relatam que Obede-Edom ora servia como porteiro, ora como harpista, não importando com o que faria, o importante era estar perto da arca.
Esta história deve ser aplicada em nossas vidas. Depois de verdadeiramente termos uma experiência com a presença de DEUS, não dá mais para viver uma vida com atividades e programações que tentam imitar a presença de DEUS como a pseudo-zebra da notícia acima. Para quem não conhece a DEUS pessoalmente, o ativismo religioso pode até ser legal, bacana… Mas quem de fato foi impactado com a maravilhosa presença de DEUS em suas vidas não quer outra coisa senão seguir a DEUS onde quer que ele esteja se manifestando. A minha e a sua oração devem ser como a oração de Moises no monte Sinai: “Exo 33:15 – Então lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui.”
Chega de cereja de chuchu!!! Eu quero é DEUS!!!
Na minha infância e adolescência brincávamos muito de brincadeiras de grupo e uma que era sempre recorrente, principalmente quando participávamos de alguma palestra sobre comunicação era a do “Telefone Sem Fio”: Forma-se uma roda e o organizador que também está na roda, cochicha algo no ouvido da pessoa ao seu lado que tem como tarefa cochichar o que ouviu para o próximo e assim por diante. Ao final o organizador dizia em voz alta o que ele cochichou a princípio e o que ouviu do último da roda. Você nem imagina como a mensagem sofria distorções e muita vezes mudava completamente o sentido ao ser retransmitida por umas vintes pessoas mais ou menos.
O mesmo acontece com a cultura, o idioma que falamos e escrevemos, a forma como nos vestimos etc. O interessante nisto tudo é que mesmo tendo acesso à mensagem original por conta da História, não raramente o significado das palavras muda e com isto a mensagem sofre influências que a distorcem. Quero refletir sobre um exemplo: Igreja.
Uma definição encontrada no link http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_%28edif%C3%ADcio%29 em 08/10/2009:
A palavra igreja (do grego ἐκκλησία, ekklēsía, significando “assembleia”,”convocação”) utiliza-se para descrever não apenas uma comunidade religiosa cristã mas também a construção usada para serviços religiosos públicos, dedicando-se geralmente aos do culto cristão. Outro termo para definir o edifício dedicado ao culto cristão é templo.
Hoje comumente dizemos “vamos à igreja” ou tal lugar é “perto da igreja” como se de fato “igreja” fosse um local, uma construção. Mas será que originalmente Jesus pensava em prédios, estruturas, organizações quando falava em igreja? Outro nome dado ao prédio onde acontecem as reuniões é “Templo”. Uma definição:
Templo (do latim templum local sagrado) é uma estrutura arquitetônica dedicada ao serviço religioso. O termo também pode ser usado em sentido figurado. Neste sentido, é o reflexo do mundo divino, a habitação de Deus sobre a terra, o lugar da Presença Real.
Mas tanto a definição de Igreja quando Templo, no cristianismo se referem às pessoas e não a estruturas ou organizações. Mas qual a implicação do uso incorretos destes conceitos? São várias e eu não desejo aqui discorrer sobre muitas, senão uma: A separação entre sacro e secular.
Quando chamamos um lugar de igreja ou de templo, dizemos que naquele lugar há a necessidade de reverência, respeito, pureza, santidade. Mas ao sairmos daquele lugar, ficamos isentos de levar conosco tudo aquilo que é propício a um lugar santo. Na nossa vida secular não temos a mesma preocupação com a santidade, pois segundo o conceito distorcido, a igreja ficou com endereço fixo, lá naquele prédio que uns chamam de templo e outros ousam chamar de Casa de Deus.
Mas não é isto que a Bíblia diz, ela diz que o templo somos nós e ainda adverte: (1 Cor 3)
16 Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?
17 Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.
Há um chamado de DEUS para que retornemos à santidade e atender este chamado passa pelo entendimento claro que Igreja somos nós, Templo somos nós, culto não é um momento de reunião semanal, é uma vida dedicada a adoração. DEUS não nos vê fatiados entre sagrado e secular, DEUS nos vê como realmente somos e não aquilo que apresentamos ao nos vestirmos de “crentes” para “irmos” à igreja, pois nós não vamos, repito, nós somos igreja.